
Postura
Postura, por definição é a posição espacial do corpo ou de suas partes, o modo de manter o corpo ou de compor seus movimentos, atitude. Um estado de equilíbrio muscular e esquelético protetor das estruturas corporais contra lesões ou deformidades, independente da atitude, segundo o Comitê de Postura da American Academy of Orthopaedic Surgeons (1947)
Controle postural
Controle postural é, por definição, uma função orgânica vital, destinada a manutenção da orientação, estabilidade e equilíbrio do corpo, de modo integral ou segmentar, estático ou dinâmico.
Para isso adota uma série de mecanismos harmônicos e sincrônicos de autorregulação que aliam as capacidades de avaliar e integrar estímulos multissensoriais, temporais, espaciais, internos e externos, capazes de adaptar, integrar e de oferecer resposta consciente ou inconsciente, via complexos processos neuromusculares.
Componentes do controle postural
1. Orientação postural: a posição relativa dos segmentos corporais entre si e em relação ao ambiente, como direção e inclinação, por exemplo
2. Estabilidade postural: a capacidade em retornar à posição original após um deslocamento.
3. Equilíbrio postural: o estado em que as forças atuantes sobre os segmentos corporais estão balanceadas.
A orientação, a estabilidade e o equilíbrio se mantêm constantes, sem oscilações ou desvios, se a projeção do centro de massa corporal se mantiver no interior da base de sustentação, tanto em condições estáticas como dinâmicas.
A base ou polígono de sustentação é a região delimitada pelos pontos de contato entre os segmentos corporais e o solo, ou a superfície de suporte.
O centro de massa é um ponto imaginário que concentra toda a massa corporal.
Características do controle postural
Função do sistema nervoso central, periférico e autonômico. Complexo e dependente do contexto, manifesta-se através de um conjunto de respostas estereotipadas, os mecanismos de ajuste postural, que são rapidamente corrigidas frente a perturbações, que são coletadas principalmente por informações visuais, vestibulares e somatossensoriais, incluindo o tato e a propriocepção, mas também auditivas, olfativas e gustativas
Envolve a maioria dos núcleos sensoriomotores cérebro-espinais, onde cada núcleo é comprometido com funções nas quais é especializado, embora a atividade de todos seja integrada, coordenada e dirigida para objetivos precisos.
Deficiência de qualquer componente dos sistemas coletor (input ou aferente), motor (output ou eferente) ou de integração e controle (sistema nervoso central), pode produzir efeitos dramáticos na estabilidade, na orientação e no equilíbrio.
Qualquer problema nesses sistemas afeta a performance, principalmente o controle motor, especialmente nas atividades que exijam habilidades de precisão.
Mecanismos de ajuste postural
1. Mecanismos reativos ou de feedback
Iniciam-se depois da perturbação postural e são extremamente rápidos. O tempo entre perturbação e resposta motora varia entre 70 e 180 ms.
Apresentam organização temporoespacial relativamente estereotipada e não podem ser classificados como reflexos, embora sejam semelhantes. São balanceados para possibilitar estabilidade postural e são refinados continuamente com a prática, tanto por aprendizagem como memória.
Outras denominações incluem as respostas compensatórias, reações ou ajustes posturais automáticos.
2. Mecanismos proativos ou de feed-forward
Iniciam-se antes da perturbação postural e propiciam ajustes que precedem e depois acompanham o movimento principal. Sua finalidade é a contraposição a efeitos perturbatórios mecânicos esperados, mantendo a estabilidade postural.
Outras denominações incluem os ajustes posturais antecipatórios.
São apresentados em 4 subcategorias, denominadas de estratégias de ajuste postural:
A. Tornozelo
Controla o movimento do centro de massa por movimento do tornozelo e suas características principais são a ativação distal-proximal dos músculos do tornozelo, joelho e quadril, provocando um giro do corpo sobre essas articulações com movimento relativamente pequeno. Utilizada para perturbações pequenas e lentas que ocorrem sobre superfícies planas, firmes e regulares
B. Quadril
Controla o movimento do centro de massa por movimento amplo e rápido do quadril e suas características principais são a ativação proximal-distal dos músculos anteriores do tronco e membro inferior associado com aumento relativo da força de reação ao solo na superfície de suporte e pequena ativação dos músculos do tornozelo. Utilizada para restabelecer o equilíbrio em resposta a grandes e rápidas perturbações ou quando a superfície de contato é menor que os pés
C. Passada
Controla o movimento do centro de massa por movimento dos membros inferiores e é utilizada quando a perturbação desloca o centro de massa para fora da base de sustentação e uma passada é realizada para alinhar base de sustentação e centro de massa.
D. Mista
Embora essas estratégias sejam descritas separadamente, ocorrem como extremos de um continuum, podem ser combinadas
Princípios básicos de organização dos sistemas de controle postural
1. Componentes sensoriais ou aferentes ou input sensorial
A. Sistema visual, que faz a captação de informações vindas da luz refletida nas superfícies, que penetra através da córnea e é projetada na retina. Fotorreceptores presentes na retina transformam a luz em sinais elétricos, que são enviados pelo nervo óptico aos altos centros cerebrais.
Ainda não é entendido como o processamento dos sinais criam percepção tridimensional a partir das imagens bidimensionais captadas pelos olhos
B. Sistema vestibular, composto por dois tipos de receptores que informam sobre diferentes aspectos da posição e movimentação da cabeça. Os órgãos otolíticos, sáculo e utrículo, são responsáveis pela sensibilidade à posição estática, inclusive gravitacional e detecção de aceleração linear e os canais semicirculares, horizontal, lateral e vertical, que conferem sensibilidade às rotações da cabeça e detectam aceleração angular.
C. Sistema somatossensorial, que é o conjunto de receptores, de sensibilidades profunda, visceral, superficial (tato) e proprioceptiva espalhados pelo corpo, que providenciam informações estáticas, sobre a posição e dinâmicas, sobre a velocidade e a direção do movimento e sobre o arranjo relativo de segmentos corporais entre si e em relação ao ambiente. São exemplos desses receptores, os mecanorreceptores da pele, os receptores de pressão, os fusos musculares, os órgãos tendinosos de Golgi, os receptores articulares.
2. Componentes de integração, análise e resposta
A. Sistema nervoso central.
3. Componentes motores ou eferentes ou output motor
A. Núcleos motores
B. Nervos motores
C. Sistema músculo-esquelético
Regulação central do controle postural: além dos reflexos
Embora os reflexos vestíbulo-oculares e vestíbulo-espinais sejam fundamentais para a estabilização imediata da postura e do olhar, o controle postural humano não se limita a circuitos reflexos automáticos. Ele depende de uma rede distribuída de estruturas subcorticais e corticais que integram informações sensoriais, estado emocional, contexto ambiental, cognição e intenção motora.
Nesse sentido, o controle postural organiza-se como um sistema hierárquico e dinâmico, no qual os níveis inferiores asseguram a estabilidade automática, os níveis intermediários ajustam e automatizam estratégias posturais e os níveis superiores modulam a postura de acordo com o contexto espacial, emocional e cognitivo.
Em humanos, a postura deixa de ser apenas um reflexo e passa a ser uma ação antecipatória e intencional, especialmente em ambientes complexos.




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