Síndrome de Ménière

A Síndrome de Ménière (doença de Ménière quando idiopática) é uma afecção crônica da orelha interna caracterizada por episódios recorrentes de vertigem espontânea, zumbido, plenitude aural e perda auditiva neurossensorial flutuante, inicialmente em baixas frequências. 

É causa relativamente frequente de síndrome vestibular episódica recorrente. Nem todos os sintomas estão presentes em todas as crises, e a apresentação pode evoluir ao longo do tempo.

Fisiopatologia

O achado típico é a hidropsia endolinfática – aumento de volume e pressão da endolinfa no labirinto membranoso. 

As principais hipóteses incluem disfunção do saco endolinfático com redução da absorção ou aumento da produção de endolinfa. Fatores autoimunes são os mais aceitos, com associação a doenças sistêmicas; há também possível contribuição genética (5–15% familiar). 

Mecanismos microcirculatórios e sobreposição com enxaqueca vestibular são descritos. Hidropsia também ocorre em sífilis, síndromes pós-virais e doença de Cogan (nas formas não idiopáticas).

Manifestações clínicas

Crises recorrentes com remissões variáveis, seguindo critérios da Bárány Society (2015; atualizados em 2022) para a Doença de Ménière.

– Vertigem rotatória de moderada a intensa, 20 min a 12 h, com náuseas/vômitos; pode haver instabilidade residual.

– Formas leves, com instabilidade vaga, oscilação, “cabeça pesada”.

– Perda auditiva flutuante, inicialmente em baixas frequências, progressiva.

– Zumbido (grave/abafado), plenitude aural e possível distorção sonora/recrutamento.

Com o tempo, a perda tende a se tornar mais permanente e plana. Início geralmente unilateral (70–80% dos casos), com bilateralização em 20–30% dos pacientes.

Epidemiologia

Prevalência estimada de 2–5 milhões nos EUA; pico entre 30–50 anos; leve predomínio feminino.

Exames complementares

Audiometria: perda neurossensorial, inicialmente em baixas frequências.

VENG: hipofunção vestibular variável.

RM com gadolínio: pode evidenciar hidropsia e excluir neuroma.

Laboratoriais/sorologias quando suspeita de causas secundárias (sífilis, Cogan, autoimune).

Tratamento

Objetivos: reduzir crises, preservar audição e melhorar qualidade de vida.

– Dieta hipossódica (≈2 g/dia), reduzir cafeína/álcool, higiene do sono e controle de estresse.

– Diuréticos (ex.: hidroclorotiazida ± triamtereno).

– Betaistina: uso amplo, evidência variável.

– Fase aguda: supressores vestibulares, benzodiazepínicos e antieméticos (sintomáticos).

– Intratimpânico: corticosteroide (controle de crises, preserva audição); gentamicina (mais eficaz para vertigem, risco auditivo).

– Cirurgia em refratários: descompressão/derivação do saco endolinfático; neurectomia vestibular (eficaz, risco auditivo); labirintectomia em casos unilaterais com audição não útil.

– Reabilitação vestibular: indicada na instabilidade intercrises e após terapias ablativas.